APOSTILA DE
REDAÇÃO – UNIDADE II - POESIA
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01. INTRODUÇÃO
Bem-vindo
à unidade 2 de redação! Como você está no Primeiro Ano, é o momento em que
temos chance de tratar diretamente da parte mais dinâmica da literatura - que é
sua produção. No Segundo Ano do ensino médio você estudará os movimentos
literários do passado e do presente, vai aprender sobre autores, ler obras e
produzir redações, principalmente dissertações. Mas por agora, enquanto estamos
lendo, não há motivos para não produzirmos nossa própria literatura. Estudar
literatura pode ser suficiente para alguns, mas como alguém pode realmente
conhecer algo que nunca viveu? Como podemos apreciar uma obra se não sentimos a
obra? E existe forma melhor de viver uma obra do que quando a produzimos?
A literatura nos permite
viajar e sonhar, viver coisas sem sair do lugar, e quando nós produzimos o
texto, podemos criar mundos inteiros, que são nossos, e que permitem que
descubramos mais sobre nós mesmos. Por isso é que na unidade I trabalhamos com
a produção de texto de ficção em prosa. Nesta unidade, trabalharemos com
poesia. Como você já deve saber, a literatura se divide em três estruturas
básicas: prosa, poesia e teatro. Não trabalharemos com o texto teatral porque
ele exige mais experiência com leitura e produção, mas já trabalhamos com prosa
(na produção de contos) e agora vamos nos aventurar na poesia!
Observações: o material
desta apostila também está disponível através do blog https://fabriciodesipoesia.blogspot.com.br
Este material foi
elaborado para uso didático, tendo sua propriedade intelectual registrada. A
extensão do material é de 21 tópicos para detalhar ao máximo possível os
recurso, pois este destina-se a auxiliar a alunos de primeira a terceira sério
do Ensino Médio na produção de poesias para avaliação escolar.
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02. O QUE É POESIA MESMO?
Poesia é o nome que se dá
ao tipo de texto literário que se divide em versos. Mas o que é o verso? Sabe
quando uma linha sempre acaba numa palavra? É o que chamamos de verso. Por
exemplo, vamos ver um trecho de um poeminha curto, que possui 4 versos:
Jovem princesa dos olhos
pequenos,
Dos lábios rosados, tão
terno riso,
Não digo o que sinto (e
sinto há tempos!);
Me levas a audácia -
calado fico!
Para que um texto seja
poesia, é obrigatória a presença de versos, de preferência que ocupem mais ou
menos o mesmo tamanho e que não atinjam a margem da folha (ou seja: não é para
ir até o fim da linha). O tamanho de um verso pode variar, mas ele é sempre o
mesmo para um poema. O poeminha acima, por exemplo, não seria poema se fosse
escrito assim:
Jovem princesa dos olhos
pequenos, dos lábios rosados, tão terno riso, não digo o que sinto (e sinto há
tempos!); me levas a audácia - calado fico!
No caso acima, o texto continua a ser
literatura, continua a ser bonito, mas não possui versos, e por isso não é
poesia. E aquilo que não é poesia chamamos de prosa. Assim sendo, todo texto
que tem linhas que ocupam todo o espaço do papel é chamado prosa e todo texto
que possui linhas divididas em versos é poesia.
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03. NÃO SEI FAZER POESIA!
Produzir poesia pode
parecer fácil, mas é um trabalho árduo de escolha de palavras e de sentidos.
Normalmente uma poesia não é produzida de improviso - e se for, não será uma
poesia muito detalhada. Quando lemos uma poesia e vemos "talento"
nela, na verdade estamos vendo o resultado do esforço do poeta em produzir um
material de qualidade, que impressione e que consiga ser interessante e
diferente. Você também produzirá uma poesia, que será uma de suas atividades
avaliativas, e que deverá exigir de você diversas reescritas. Ninguém nasce poeta!
Por isso, não espere que na primeira versão o seu poema seja lindo, perfeito e
receba nota máxima! Ao invés disso, escreva, de seu jeito e sem medo, e
apresente ao seu professor, que irá lhe orientar sobre o que pode ser mudado em
seu texto. Você fará várias versões até atingir a forma final de seu texto, mas
isso não deve lhe assustar! O texto final certamente receberá uma nota máxima,
mas para isso é preciso que você esteja aberto a ouvir sugestões e que tenha a
calma necessária para entender e fazer o que é pedido. Além disso, de nada
adiantará você demorar muito tempo entre uma versão e outra. Apresente seu
poema como ele estiver, e modifique conforme as orientações, mas sem
nervosismo. O seu professor estará presente durante todo o seu percurso, porém,
temos um prazo a ser cumprido, e se você demorar demais, não receberá mais do
que décimos na nota!
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04. QUAL É O TEMA?
A sua poesia será um texto
seu, escrito com suas palavras, e de preferência sem interferência alheia (até
porque quem está aprendendo é VOCÊ, e só fazendo nós realmente aprendemos). Se
você não fizer o seu texto, como terá o conhecimento, no final da unidade, para
realizar a prova? Por isso, escolha um tema e escreva sobre ele. Não precisa
estar bem escrito ou ser sobre amor. Iremos corrigi-lo com calma até que ele se
torne surpreendente. O seu texto pode falar sobre o que você quiser: sobre
amor, sobre guerra, sobre política, sobre racismo, sobre negritude, sobre o
sertão, sobre Deus, sobre religião, sobre paz, sobre medo, sobre morte, sobre
pessoas, sobre família, sobre amizade, sobre estudos, sobre sua rotina, sobre
seus desejos, sobre seu futuro, sobre histórias que você cria, sobre histórias
que você ouve, sobre as raivas que você sente, sobre as coisas de gosta ou que
acha bonitas, sobre tudo! A literatura dá uma grande liberdade de temas que
muitas vezes podem não ser permitidos noutros textos: aproveite!
Um dos temas mais
recorrentes na poesia sempre foi o amor. É fácil falar de amor, não é? Rimamos
amor com dor, calor, cor, e rimamos paixão com ilusão, coração e emoção. Depois
rimas amar com olhar, esperar, gostar, estará e rimamos você com esquecer,
perder, prazer, viver, morrer e cadê.
Fazer poesia assim parece fácil, não é? Basta escrever algumas palavras e
colocar a rima no final, assim:
O meu coração
Vive cheio de paixão
Não posso te
esquecer
Pois eu amo você.
Contudo, produzir este
tipo de texto é tão fácil que esquecer. Quantos textos você já viu, desses, que
não marcaram sua vida? Não dão trabalho para serem escritos, e por isso quem lê
não se impressiona tanto. O poema que você produzirá apresentará alguma
dificuldade, embora não seja impossível - a dificuldade é só o bastante para
desafiá-lo a escrever melhor enquanto aprende sobre poesia na prática. Por
isso, já adiantamos que uma produção sobre amor é fácil. É um caminho fácil
demais para quem quer realmente aprender. Você é livre para escrever sobre
amor, mas isso não seria comum demais? Você pode fazer mais, pode lidar com
temas mais complexos, não pode? Se possível, evite falar de amor. Aliás, se o
seu texto NÃO falar de amor (amor romântico), você já terá 0,4 décimos. Caso
decida falar de amor, você poderá ganhar esses 4 décimos através de outros
requisitos - são vários, uns mais fáceis e outros mais difíceis - o mais fácil
é este: não falar de amor. Se você não tiver certeza de que conseguirá cumprir
os outros requisitos, então garanta desde já os seus 4 décimos escolhendo um
outro tema DIFERENTE de amor.
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05. É QUANTAS LINHAS?
Existem poesias curtas,
com duas linhas, e existem poesias longas, com centenas ou milhares. Como
estamos produzindo para uma avaliação, seu texto deverá ter um formato
específico. Não é apenas um poema qualquer, mas um soneto clássico! E o soneto
(clássico) possui exatamente 14 linhas, divididas em 4 blocos. Cada um desses
blocos é chamado de estrofe. Entre uma estrofe e outra há sempre um espaço de
uma linha. Nas duas primeiras estrofes, um soneto tem 4 linhas, e nas duas
últimas estrofes tem 3 linhas. Por isso, a fórmula famosa: 4-4-3-3. Veja abaixo
um exemplo de soneto:
Jovem princesa
Jovem princesa dos olhos
pequenos,
Dos lábios rosados, tão
terno riso,
Não digo o que sinto (e
sinto há tempos!);
Me levas a audácia -
calado fico!
Nos breves momentos 'que
estou contigo
Acalmo minh'alma em
sincero enlevo e
Me acho babando de tanto
que fico
Suspenso em encantos -
cativo mesmo!
Penso: eles notam no
quanto aprecio
Quando me notas?, pois sou
como um rio
Que ri quando sente o
toque dos frios
E finos dedos das mãos que
desejo
Beijar - e o fato é que
faço isso mesmo
Em minh'alma cheia de
afeto e pejo!
Note que as primeiras
estrofes têm 4 linhas (que chamamos de versos, porque é poesia). Se fizéssemos
diferente, por exemplo - 4 versos, depois 3, depois 4 e depois 3, teríamos um
outro tipo de poema que NÃO seria soneto. Se todas as estrofes tivessem 4
versos, também NÃO seria soneto. Se o seu texto não for soneto, você perderá
0,5 (meio) ponto, que será retirado de sua nota final. Falaremos detalhadamente
de cada um dos parâmetros a serem analisados e você terá uma tabela para saber
sua nota e assim avaliar a qualidade (relativa) de seu soneto. Por enquanto, se
concentre no seguinte: são 14 linhas (versos), divididas em 4 blocos
(estrofes), tendo 4-4-3-e-3 versos. Só como exercício, veremos outro soneto:
O céu é azul
E as rosas são vermelhas
O abacaxi é azedo
E minha casa tem telhas.
O chão em que eu piso
Foi plantado por meus pais
E o dia corre lento
Enquanto a chuva não caiu
Sou sertanejo, trabalho
Na roça, no sol e na chuva
Enquanto Deus quiser
Vou vivendo de meu suor
E minha vida é muito boa
vivendo nesta terra
E assim eu sou feliz.
O texto acima é apenas um
exercício. Note que em alguns trechos ele perde o sentido e em outros ele nem
mesmo tem rimas. Contudo, ele está dividido em versos, não está? Isso já basta
para ser poesia. Ele tem 14 linhas, divididas em 4-4-3-3, não tem? Isso basta
para ser um soneto. Se tem rimas ou não, isso já outra história. Quem disse que
uma poesia precisa ter rimas para ser poesia? Tanto não precisa que muitos
poetas escreveram grandes poesias sem rimas. Então, o texto acima, por mais que
não seja profissional, é um soneto com certeza, e não terá meio ponto
descontado de seu nota. Porém, ele não tem título! Como a ausência de título
faz seu poema perder meio ponto, daremos um título qualquer: "O meu
sertão". Talvez este não seja um bom título, mas basta que o título
EXISTA. Apenas evite títulos como: "poesia" ou "poema
soneto" ou "trabalho de redação". O título é o nome de seu
poema; assim como você tem nome, sua obra também deve ter.
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06. MÉTRICA
Leia o seguinte poema, escrito
por um grande poeta de nossa língua (o Manuel Bandeira):
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da
Babilônia num
[ barraco sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Repare que alguns versos
são muito longos em comparação com outros que são muito curtos. Uma poesia pode
ser feito desta forma, mas para nossa avaliação, usaremos MÉTRICA REGULAR -
isto é, todos os versos precisam ter o mesmo tamanho. Veja agora, abaixo, um
exemplo de uma estrofe que possui versos de mesmo tamanho:
Senhor, pequei! Mas por eu
ter pecado
Não me despeço da tua
bondade;
Porque quanto mais eu
tenho errado
Mais peço perdão; Senhor,
tem piedade!
Essa contagem não se
baseia no tamanho do verso no papel e sim no número de sílabas. Numa estrofe
com versos 10 sílabas, por exemplo, um verso pode ter 9 ou 11 sílabas que não
será uma diferença muito grande. Contudo, se o verso possui 8 ou 12 sílabas, aí
já temos uma diferença significativa. Veja como fica uma estrofe de versos irregulares:
Vou vivendo de meu suor
E minha vida é muito boa
vivendo nesta terra
E assim eu sou feliz.
A cada estrofe que seu
texto possuir com versos todos de mesma quantidade de sílabas, você terá um
décimo a mais, podendo chegar a até 4 décimos com este parâmetro. Idealmente, a
contagem deve ser feita pela seu professor, pois algumas sílabas não são
contadas, já que se trata de poesia. Neste caso, estamos contando apenas as
sílabas poéticas, e mesmo que seu poema não seja sáfico, as sílabas serão
contadas como se ele fosse. Seu poema NÃO precisa ser sáfico e você não precisa
entender tudo sobre isso, mas seria bom você ler e saber que isso existe.
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07. VERSO SÁFICO
Se o seu poema for sáfico,
você não receberá 1 décimo por cada estrofe; ao invés disso, você terá um ponto
automático.
Se o seu poema apenas
tiver versos de tamanho regular (dizemos métrica regular), você tem 1 décimo
por cada estrofe com versos de mesmo tamanho.
Um poema sáfico é aquele
que possui exatas 10 sílabas poéticas em cada verso. Ele recebe esse nome
porque a poetisa Safos de Lesbos, a grega, escrevia lindos poemas de amor
usando essa métrica e foi a principal responsável pela popularização desse tipo
de verso. Para essa contagem, três regras são seguidas:
1ª regra sáfica: só contamos até a última sílaba forte. Numa palavra, sempre há
sílabas fortes e sílabas fracas. Na palavra "piedade", por exemplo, a
última sílaba forte é "DA", e por isso, se um verso é encerrado com a
palavra "piedade", não contamos a sílaba "de". Da mesma
forma acontece com a palavra "errado". Como a sílaba forte é
"RA", não contamos o "do", e portanto, se essa palavra
aparece no final de um verso, não dizemos que a palavra "errado" tem
3 sílabas poéticas, e sim DUAS sílabas poéticas.
2ª regra sáfica: consideramos elisões. Elisão é o nome que se dá a quando duas sílabas
ficam com seus sons unidos, e fazemos isso o tempo todo na fala. Por exemplo:
"me dá um copo de água" normalmente é pronunciado "me dáum copo
dágua". A elisão ocorre quando a última letra de uma palavra é uma vogal e
a primeira letra da outra palavra também é uma vogal. Neste caso, juntamos os
sons e elas saem como uma sílaba só. No caso de "dá um copo",
normalmente pronunciamos "dáum", como uma única sílaba, e na poesia o
correto é FAZER elisões.
3ª regra sáfica: consideramos elisões forçadas; quando uma palavra não tem elisões,
nós podemos forçá-la. Por exemplo, ao dizer "copo de água"
normalmente dizemos apenas "copo dágua"; mas se queremos deixar clara
essa forma de leitura, podemos escrever "copo d'água". Esse sinal,
que parece uma vírgula voadora, se chama apóstrofo e sinaliza que uma letra foi
retirada. Veja um exemplo de elisões forçadas: "Minh'alma 'inda
espera". Contudo, a exclusão de uma letra é uma elisão, mas não é sempre
forçada. Dizemos que é forçada quando ela engole letras do nada e só colocamos
o apóstrofo. Se, por exemplo, precisamos de 10 sílabas poéticas e nosso verso
tem 11 e nele tem escrito "palavra", podemos escrever
"p'lavra", e teremos só DUAS sílabas (p'la - vra), e se estiver no
final do verso, só contamos uma (p'la, porque vra é fraco).
Compare as diferenças de
quando uma estrofe tem versos de tamanho diferente com uma estrofe de versos
sáficos. Abaixo há uma estrofe de versos irregulares (de tamanhos diferentes):
O céu é azul
E as rosas são vermelhas
O abacaxi é azedo
E minha casa tem telhas.
E agora, uma estrofe de
versos sáficos. (Dica: se você recitar em voz alta, vai perceber melhor essas
divisões)
Senhor, pequei! Mas por eu
ter pecado
Não me despeço da tua
bondade;
Porque quanto mais eu
tenho errado
Mais peço perdão; Senhor,
tem piedade!
Embora a poesia possa ser
escrita de diversas formas, o verso sáfico é um dos mais respeitados,
justamente pela habilidade e exatidão que ele exige - mas não é nada que você
não possa alcançar. Depois de produzir uns 5 sonetos sáficos (ou até menos),
você poderá falar de poesia sabendo do que está falando e nunca será
menosprezado por quem se diz um grande poeta - porque você TAMBÉM um grande
poeta. Pense nisso!
REPETINDO: se o seu poema
for sáfico, você não receberá 1 décimo por cada estrofe; ao invés disso, você
terá um ponto automático.
Se o seu poema apenas
tiver versos de tamanho regular (dizemos métrica regular), você tem 1 décimo
por cada estrofe com versos de mesmo tamanho.
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08. ADVÉRBIOS
Advérbios são palavras que
modificam os verbos (ações) e os adjetivos (características). Existem muitos
advérbios possíveis e não serão dados exemplos de advérbios aqui; ao invés
disso, é possível procurar advérbios pelo dicionário e pela internet, e isso
pode nos levar a conhecer advérbios muito mais curiosos do que se déssemos
exemplos aqui.
Ao procurar no dicionário,
abra em qualquer página e note que a palavra a ser explicada está em negrito
(isto é, com a letra mais escura e com traços mais grossos). Um pouco à frente
da palavra estará uma anotação em itálico (com a letra inclinada), geralmente
escrito "subst" ou "adj" ou "adv". A sigla para
advérbio é ADV, e se você encontrou isso após alguma palavra no dicionário, é
um advérbio. Leia o significado dele e crie uma forma lógica de utilizá-lo numa
frase e de colocar a frase no seu poema. Lembre-se de que se houverem erros de
coesão (isto é, palavras que não fazem sentido) ou de coerência (isso é,
trechos sem lógica), você perderá meio ponto de sua nota final. Portanto, antes
de usar um advérbio, tenha certeza de que entendeu o que ele quer dizer. Se não
tem certeza, escreva a frase e peça para alguém ler. Se a pessoa entender, está
escrita de forma compreensível.
Cada estrofe de seu texto
deve possuir ao menos 1 advérbio. Como são 4 estrofes, você precisa de 4
advérbios. Se uma estrofe possuir mais e 1 advérbio, apenas o primeiro advérbio
daquela estrofe subirá sua nota. Em outras palavras, não adianta ter 4
advérbios apenas na primeira estrofe, pois isso lhe dará apenas 1 décimo; ao
invés disso, tenha 1 advérbio em cada estrofe (ou mais, se quiser), e você terá
4 estrofes com advérbios, o que lhe dará 4 décimos.
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09. TERMOS REBUSCADOS
Muitas poesias são
conhecidas por possuírem palavras complicadas, que poucos entendem. Poetas
fazem isso para demonstrar que têm conhecimento real de nossa língua, que
conseguem lidar com as palavras. Você estuda no ensino médio, então talvez seu
vocabulário (a lista de palavras que usa) ainda não seja tão grande, mas se não
for, já era de aumentarmos, não? Por causa disso, o seu poema deverá utilizar
termos rebuscados (isto é, palavras pouco usadas e pouco conhecidas). Cada
estrofe deverá possuir ao menos 1 termo rebuscado, o que poderá aumentar até 4
décimos de sua pontuação. Se você não conhece palavras rebuscadas (isto é,
palavras difíceis), pegue um dicionário ou pesquise na internet. Antes de usar
a palavra, tenha certeza de que entendeu o que ela quer dizer.
Outro detalhe importante é
que algumas palavras podem ser estranhas para você e não serem estranhas para
seus professores. A avaliação será feito pelo seu professor e é ele quem irá
definir se o termo é rebuscado ou não e se vale algum décimo. Para ter certeza
de que seu professor irá identificar o que você acredita ser um termo
rebuscado, circule a palavra. Assim, seu texto deverá ter 4 palavras
circuladas, uma em cada estrofe. Se os termos realmente forem rebuscados, você
terá até 4 décimos (um por cada estrofe com termo rebuscado). Não é preciso
fazer seu texto ficar cheio de palavras estranhas, basta colocar algumas. Isso
dará qualidade ao seu texto e as pessoas verão que você se esforçou para
escrevê-lo e que entende do que está fazendo.
Além disso, usar termos
rebuscados é uma das formas mais fáceis de aumentar a qualidade de seu texto.
Se você abusar dos termos rebuscados, tornando o seu texto difícil de entender,
ele não irá ser melhor, irá ser pior por perder qualidade. Um texto só tem
valor quando pode ser compreendido, e se apenas você entender o que está
escrito, estará escrevendo para si mesmo. Portanto, use palavras mais
requintadas, mas não abuse delas! É preciso ser agradável a quem está lendo!
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10. INVERSÕES DE ORDEM SINTÁTICA
Cada um dos parâmetros de
avaliação pode lhe render de 1 décimo a 4 décimos. Por isso, não é preciso
cumprir todos os parâmetros, mas apenas 8 deles, pois só isso será o bastante
para que seu texto receba a nota máxima (3 pontos). E você pode escolher os
parâmetros que irá cumprir, desde que cumpra ao menos 8 dos 15 existentes. Os
parâmetros apresentados até agora são os mais simples de serem usados, mas
garantem apenas 1,6 pontos, e você não deve se contentar com pouco. Por isso,
leia os outros parâmetros e veja quais deles você conseguirá cumprir com mais
facilidade. Não é preciso cumprir todos, mas o seu texto precisa realmente ter
qualidade, e quanto mais desses parâmetros você cumprir, mais qualidade o seu
texto terá.
Em nossa língua, muitas
vezes dizemos a mesma coisa de formas diferentes. Às vezes são formas
diferentes porque usamos outras palavras, mas às vezes apenas mudamos as
palavras de ordem. Por exemplo, normalmente dizemos "Eu amo você".
Contudo, se dissermos "você eu amo" também seremos compreendidos.
Isso se chama inversão de ordem sintática; ao utilizarmos esse recurso nós
pegamos as palavras de uma frase e mudamos a ordem delas, mas SEM alterar o
sentido. Se o sentido for alterado, não estamos fazendo inversão de ordem
sintática, estamos apenas bagunçando a frase, e poesia não é bagunça! Se
dissermos, por exemplo "eu você amo", a frase já se torna estranha e
difícil de ser entendida.
Quando falamos,
normalmente há uma ordem comum de ser compreendida: sujeito e predicado. Dentro
de um predicado, normalmente temos verbo e objeto do verbo (o objeto é aquilo
sobre o que o verbo age). Por exemplo: "eu comi uma maça". Nesta
frase, o sujeito é "eu", o verbo é "comi" e o objeto é
"uma maçã". Se dissermos "uma maçã eu comi", ainda seremos
compreendidos, mas se dissermos "como maçã uma eu", a frase deixa de
fazer sentido. Uma forma bem simples de fazer inversão de ordem sintática é
trocar a ordem do adjetivo e do substantivo. Por exemplo: ao invés de dizermos
"tens um coração carinhoso", dizemos "tens um carinhoso coração";
ao invés de dizermos "és uma pessoa boa", dizemos "és uma boa
pessoa". Agora ficou mais fácil, não é?
Lembre-se que este é um
meio simples de aumentar a sua pontuação e a qualidade de seu texto. Se você
não for capaz de fazer algo simples, como fará algo complicado? Faça ao menos
uma inversão de ordem sintática em cada estrofe e você terá 1 décimo por
estrofe. Mas atenção! Não deixe que sua frase fiquei sem sentido! E outra
coisa: é para inverter as palavras de uma frase, e não para trocar as frases de
ordem! Se você já fez as 4 inversões nas 4 estrofes e se fez todos os
parâmetros anteriores, você tem 2,0 pontos. Isso pode ser melhorado, não?
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11. ALITERAÇÃO
Algumas palavras têm
semelhanças em seu final, enquanto outras têm no seu começo. Quando a
semelhança é no começo, chamamos de aliteração. O uso de aliterações torna o
seu texto mais rico e agradável de ser ouvido, e sem mais detalhes vamos a
alguns exemplo:
Vá e volte voando, viu,
Venâncio?
O vento vem e tu vens, tu
vens
Teu violento violão viola
minha canção
As violetas são violentas
e a rosas não são rosas
Bati uma bola num bom
babinha bem-bolado
Cruz-credo! Como quero
comer queijo cedo!
Dai-me esses dados e te
será dada uma dádiva doida de dança sem dengo com a dama
Esforços esfaimados esfarelaram
as estradas como espelhos, como escadas
Facas foram feitas fixas
como feixes e fechadas na caixa feia, na feira, pelas freiras
Gato, gatuna, gago, grupo, grogue, Gregory,
zeitgaist, poltergaist, girar, giraste, girafa, garrafa, grata, garra,
galharda, galhofa...
Quer uma forma simples de
fazer aliterações? Pegue um dicionário e abre em qualquer lugar. Repare que as
palavras seguidas começam com as mesmas letras. Agora, imagina formas de usar
essas palavras para formar frases LÓGICAS (porque elas precisam fazer sentido!)
- e... tchan-ram! Você já tem uma aliteração. O importante aqui é que você se
divirta! (e subo sua pontuação em mais 4 décimos, 1 por cada estrofe que tenha
aliteração)
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12. RIMAS FINAIS RICAS
Chamamos de rima a
semelhança entre o som final de uma palavra e o de outra. Por exemplo, são
rimas as palavras "rimar" e "cantar", porque ambas terminam
em "ar". Provavelmente você já sabia o que é uma rima, mas alguns
detalhes novos serão aprendidos. O primeiro é que não falamos ainda de rimas.
Isso porque poesia NÃO PRECISA DE RIMAS! O que faz um texto ser poesia não é a
presença de rimas, e sim a divisão em versos, lembra? Se você quiser, seu texto
pode ter rimas, e isso o tornará mais bonito. Contudo, não é preciso que
existam rimas. Se você escolheu colocar rimas, vamos às regras para elas.
Nas estrofes 1 e 2, seu texto
NÃO deve ter rimas que rimem uma linha ímpar com a linha par abaixo dela (isto
é, não é pra rimar a linha 1 com a 2 nem pra rimar a linha 3 com a 4). Ao invés
disso, experimente rimar a linha 2 com a 4, ou a 1 com a 3, ou até mesmo a 1
com a 4 ou 2 com 3. Vejamos um exemplo do que não serve para esta atividade:
A pimenta quando arde
É igual batatinha que
nasce
Tudo acontece de repente
Igual ao amor da gente
No caso acima temos o
verso 1 rimando com o verso 2 e o verso 3 está rimando com o 4 (e isto não
serve). Agora, vamos tentar outro esquema:
Batatinha quando nasce
Acontece tão de repente!
Igual a pimenta que arde
Que queima como o amor da
gente!
No exemplo acima, a linha
1 está rimando com a 3 e a 2 está rimando com a 4. Esse é um esquema popular e
muito comum. Abaixo, veja um outro esquema de rimas que também é aceito:
Batatinha quando nasce
Acontece tão de repente!
Nasce igual ao amor da
gente
Que é como pimenta que
arde!
Como você viu, criar rimas
não é tão difícil. Contudo, nem toda rima criada aumentará sua pontuação. Rimar
"coração" com "emoção", por exemplo, é algo fácil, assim
como rimar "amar" com "adorar". Essas rimas são fáceis
porque são rimas ricas - isto é, rimas entre palavras de mesma classe
gramatical. Por exemplo, no caso de "coração" e "emoção",
as duas palavras são substantivos e uma rima entre substantivo e substantivo é
uma rima pobre. Já uma rima entre "coração" (substantivo) e
"grandão" (adjetivo) é uma rima rica. A rima rica não é uma rima
melhor ou mais bonita; esse nome é apenas uma convenção usada na poesia. Muitos
grandes poetas escreveram em rimas pobres e escreveram bem, mas você consegue
fazer mais. No caso de "amar" (verbo) e "adorar" (verbo), a
rima também é pobre; mas existem outras palavras que podem rimar com elas e que
não são verbos! Por exemplo: lugar, jamais, demais, trás, faz, capataz, fugaz,
gilvaz, Barrabás, mais, pais, mar, insular, etc. Para saber se uma rima é rica,
consulte um dicionário (ou a internet) e veja o que a primeira palavra que vai
rimar é (se é substantivo, verbo, etc); depois, veja o que a segunda palavra é.
Se ambas as palavras forem da mesma classe gramatical (exemplo: verbo e verbo,
ou adjetivo e adjetivo), você fez uma rima pobre. Você até pode fazer rimas
pobres, mas isso não aumentará sua pontuação.
Para que sua pontuação
seja alta, procure criar apenas rimas ricas. Um detalhe importante é que
estamos falando das palavras que terminam os versos - essas são as chamadas
rimas ricas, e o nome completo disso é rimas FINAIS ricas. Existem outros tipos
de rimas. Vamos ver?
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13. RIMAS INTERNAS
Quando duas palavras rimam
e estão no mesmo verso, chamamos a isso de rima interna. Por exemplo, sabemos
que "de repente" e "mente" são palavras que rimam. Agora,
observe o seguinte verso:
De repente minha mente pensa em ti
E vem a saudade - tarde ou
nunca partir!
No exemplo acima, temos as
palavras "ti" e "partir" formando uma rima final; isso é
uma coisa. Já "de repente" e "mente" estão rimando, mas
estão no mesmo verso, e não no final de versos. Isso é uma rima interna. Releia
o trecho acima e procure ver se encontra uma rima interna no segundo verso.
Para as rimas internas, a
orientação é semelhante às orientações anteriores: só é preciso ter 1 rima
interna por estrofe, e só é possível chegar a 4 décimos com essas rimas
internas. Se uma estrofe tiver várias rimas internas, isso não aumentará sua pontuação
mais do que se tivesse apenas 1. Além disso, as rimas internas NÃO precisam ser
ricas. Ou seja: você pode fazer rimas internas com palavras de mesma classe
gramatical. Veja um exemplo de rimas internas pobres, mas que valem também:
Meu coração: sem direção,
voando só por voar
Sem saber onde está você,
sonhando com teu olhar
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14. RIMAS FINAIS CRUZADAS
Já falamos bastante sobre
rimas, mas uma pergunta comum ainda não foi respondida. É preciso ter duas
rimas numa mesma estrofe? Não. Você precisa de apenas UMA rima rica por
estrofe. Contudo, um poema que use muitas rimas finais ricas, rimas cruzadas e
rimas internas certeza é visto como um poema mais bem elaborado. Uma estrofe
com rimas cruzadas apresenta um dos formatos a seguir:
I. A linha 1 rimando com a linha 3; e a
linha 2 rimando com a linha 4
II. O verso 1 rimando com o verso 4 e o
verso 2 rimando com o verso 3
III. O verso 1 rimando com outros dois
versos e um verso sem rima
IV. Todos os versos rimando entre si
As rimas cruzadas também
devem ser rimas ricas. Observe abaixo alguns exemplos de rimas cruzadas (obs.:
nasce e arde não é uma rima rica!):
Batatinha quando nasce
Acontece tão de repente!
Igual a pimenta que arde
Que queima como o amor da
gente!
Batatinha quando nasce
Acontece tão de repente!
Nasce igual ao amor da
gente
Que é como pimenta que
arde!
Mas um detalhe é
importante de ser observado: como fazer rimas cruzadas nas estrofes 3 e 4, que
não têm 4 versos? Há algumas possibilidades para isso. A primeira é colocar
todos os versos rimando entre si (só rimas ricas!). Veja um exemplo abaixo:
Meu amor deixará saudades,
Ardendo (porque o amor
arde),
Nascido num adeus - tão
tarde!
No exemplo acima, a
palavra "saudades" é substantivo, "arde" é adjetivo e
"tarde" é um advérbio, e portanto todas as rimas são ricas, além de
serem cruzadas. Uma forma mais simples de fazer rimas cruzadas nas estrofes 3 e
4 é cruzá-las entre si. Podemos, por exemplo, rimar o verso 3 da estrofe 3 com
o verso 3 da estrofe quatro. Por exemplo:
................repente
................gente
................tarde
................lugar
................esperar
................saudade
Outras possibilidades
podem ser feitas com essas duas últimas estrofes cruzando-se. Tente algumas e
se divirta! Você ficará muito contente em perceber que é capaz de coisas incríveis
na poesia e se surpreenderá consigo mesmo!
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15. TROCADILHOS
A poesia é uma arte que
lida com as palavras, e por isso o poeta tem mais liberdade de mexer com ela do
que um escritor comum. Essa liberdade é tão grande que nos permite, por
exemplo, fazer trocadilhos. Não sabe o que é um trocadilho? É um jogo de
palavras. Na prática, nós fazemos trocadilhos o tempo todo, sem perceber, e
isso nos diverte e encantada, então que tal colocar isso no papel? Quer um
exemplo de trocadilho famoso? Divertida mente! Algumas gírias que usamos também
são trocadilhos. Quando dizemos, por exemplo, "eu havia calçado um
calçado", isso é um trocadilho. Quando dizemos que "a calça a gente
bota e a bota a gente calça", é um trocadilho. "O arroz-doce
salgado" é outro trocadilho. "Uma grande pequena mulher" ou
"uma pequeninininina estrela brilhava". "Rosa petulante",
por exemplo, não tem a ver com pétalas, e sim com petulância (ou seja:
arrogância). "Te quero de volta no meu pescoço" é um trocadilho com o
adereço que chamamos de volta e que usamos em torno do pescoço (em volta do
pescoço), mas também tem a ver com a palavra volta (de voltar, retornar). A
mesma coisa ocorre em "mulher melhor" e "diferente deles você é
igual a mim". Quer ver outro? "O rapaz era um gato, mas era um
cachorro porque era galinha". Trocadilhos, trocadilhos, trocadilhos...
Repare que alguns
trocadilhos brincam com os sons das palavras, enquanto outros lidam com os
significados delas; alguns permitem a liberdade de criar palavras ou mudar um
pedaço dela. Alguns lidam com o fato de palavras estranhas parecerem o que elas
não são. Um trocadilho permite que usemos os sons que coisas fazem (ex.: eu
disse miau, e ela disse miau-au-au); permite usarmos palavras parecidas (ex.:
mas me faz mais paz pois faz tanto mais se faz tais coisas loucas demais);
permite usarmos palavras de outras línguas (ex.: eu cho-kay quando chegai,
okay?)(ex.: quero uma vida mais diet e você não é light)(ex.: quero ficar relax
ao max e nada max); permite, enfim, muitos recursos.
O que será avaliado é a
sua criatividade em utilizar os recursos de que a língua dispõe. Seu texto não
precisa ser uma chuva de trocadilhos- basta um por estrofe e você já garante
sua pontuação. Apenas evite utilizar palavras que possam trazer sentidos
indecentes, imorais, ilegais ou inadequados ao seu contexto escolar de
estudante.
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16. ACRÓSTICO
Aposto que você já viu
algum acróstico por aí! Sabe quando as letras inicias dos versos, quando lidas,
foram palavras? Não sabe? Olha só um exemplo:
Gato pula nas telhas que
são velhas
Atos malucos e pulos
duplos ele faz
Toda noite atrapalha meu
sonho, das telhas
Ora, ora! Gato danado,
cheio de gás!
No caso acima, uma quadra
foi escrita falando sobre um gato, e as letras dos inícios dos versos são,
respectivamente G, A, T e O. Muitas mensagens podem ser escondidas através de
acrósticos. Inclusive, eles podem ser feitos com as letras finais dos versos,
ou sempre com a segunda letra de cada verso, ou terceira, ou quarta, etc;
Abaixo há um acróstico com a frase "Te amo", constituindo uma forma
muito bela de declaração. Veja:
Teu puro coração
Eu quero em minhas mãos
Amo ouvir o som
Mais do amo, adoro ouvir o
som da tua voz
- Ouvir o som!
O seu poema não precisa
ter um acróstico, mas se tiver, você terá uma pontuação maior, afinal isso
demonstra que você realmente teve o trabalho de lapidar as palavras (olha a
metáfora!) e utilizá-las de forma a produzir novos sentidos. Que tal brincarmos
com as palavras?
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17. METÁFORAS
Abordamos muitos detalhes
referentes às rimas, e agora está na hora de falar das figuras de linguagem.
Quando falamos algo e queremos dar um sentido diferente do que realmente
falamos, estamos usando uma figura de linguagem. Esse tipo de recurso é muito
próprio da literatura, e como poesia é uma das formas de literatura, as figuras
de linguagem estão presentes o tempo todo na poesia. Antes de começarmos, é
preciso compreender como funciona uma figura de linguagem. Numa situação
imaginária, um jogador chuta a bola em direção ao gol e erra de forma grotesca,
e então alguém diz: "é o maior artilheiro do mundo, menino!".
Obviamente, entendemos que não é realmente um elogio, mas uma ironia, pois quem
falou quis significar o contrário do que falou; numa outra situação, um rapaz
está elogiando os pequenos brincos de uma moça e lhe diz: "você fica muito
gata com esses brincos, sabia?". Ora, um gato é um animal quadrúpede com
bigodes e rabo e que anda em telhados, e a moça da situação claramente não é
uma gata. Por isso, o significado do que foi dito (você está gata) vai muito
além do que foi dito.
Existem diversas figuras
de linguagem: algumas são mais fáceis de compreender e outras menos. Nesta
unidade trabalharemos com algumas que são as mais básicas e comuns na poesia
clássica, que são: a metáfora,o paradoxo, a progressão e a sinestesia. Começaremos
falando da metáfora, que é quando afirmamos que uma coisa é outra coisa
simplesmente porque têm alguma coisa em comum. Se dissermos, por exemplo
"estar com você é poesia", estamos fazendo uma metáfora. Se dissermos
"teu nome tem gosto de saudade", isso é uma metáfora. Por outro lado,
se dissermos "meu coração bate como uma bateria", isso não é uma
metáfora, pois estamos usando a palavra "como", e a figura usada é
COMPARAÇÃO. É muito importante diferenciarmos o que é metáfora de comparação.
Na metáfora, afirmamos que uma coisa É outra coisa; na comparação, afirmamos
que uma coisa é COMO outra coisa, ou parecida. Veja abaixo:
Gostar e odiar SÃO uma
sanfona que estica e volta --> metáfora
Gostar e odiar são COMO
uma sanfona que estica e volta --> comparação
A política é como um ninho
de cobras que se mordem --> comparação
A política É um ninho de
cobras que se mordem --> metáfora
Teus olhos brilham mais do
que a lua --> metáfora
Teus olhos brilham COMO a
luz da lua --> comparação
O desejo é um carro
desgovernado --> metáfora
Estou cego COMO um
morcego, atraído IGUAL mariposa --> ___________ (preencha com a resposta
correta)
A saudade me invade -->
_____________
É COMO SE a saudade me trouxesse
você --> ____________
Não me esquecerei do
brilho de tua voz doce, moça --> ____________
Escrevi isso para você,
mas recitarei para a lua --> _____________
Preciso calar o que sinto
--> ___________
Eu sei do que você sente,
ASSIM COMO a noite sabe do sol: em silêncio e refletindo -->
________________
Seu texto é uma poesia, e
por isso deveria usar e abusar das metáforas. A comparação também é uma figura
de linguagem importante para a literatura, mas não renderá nenhuma pontuação.
Caso queira pontuação, crie metáforas em seu texto e alegorias.
Enquanto a comparação diz
que duas coisas são parecidas, a metáfora diz que duas coisas são a mesma
coisa. Já a alegoria não fala de duas coisas, fala apenas de uma, e
precisaremos entender a outra coisa que não foi dita com base em nosso
conhecimento de mundo. Por exemplo: muitas das histórias que Cristo contava
eram alegorias, pois ele não explicava; quando ele explicava, aí já eram
comparações. Já usamos o exemplo da palavra "gata" para tratar de
metáfora; agora, usaremos para construir alegorias. Temos um exemplo de
alegoria em: "uma gata vive em meu muro, e não pula pra cá nem pula pra lá
porque não pode pular". O que isso significa? O que é a gata? Uma alegoria
(algo que não está explicado e que significa outra coisa). Outro exemplo de
alegoria: "durmo em silêncio e meu peito se acalma; quando te vejo, não
durmo". Abaixo há algumas figuras; identifique se são metáforas ou
alegorias ou comparações.
O Congresso e o Senado estão
cheios de ratos --> ____________
Os ratos estão por todos
os lados --> _________________
A vida é um ritual, parto, no meio do
mundo a sós à ______________________
Tem tanta laranja madura
por aí! --> __________________
Sou um pedestal e tua
presença me adorna --> __________
Sou como um pedestal e tua
presença me adorna --> ___________
Teu nome é uma metáfora e
renasço em te chamar --> ___________
Tens as metáforas e
renasço ao descobri-las --> __________
contigo aprendo o que
achei que esqueci, minha professora --> ____________
_____________________________________________________
18. PARADOXOS
As metáforas são figuras
fáceis de compreender (ou nem sempre); já as alegorias são mais complicadas,
assim como os paradoxos. Quando algo que é contrário de si mesmo, estamos
fazendo um paradoxo; quando dizemos uma coisa e logo depois o seu contrário, é
um paradoxo. Por exemplo: "esta cidade grande é pequena pro meu
coração". Como uma cidade é grande se é pequena? Em nossa fala cotidiana
também usamos um paradoxo muito comum: "eu sei muito pouco sobre
você". Como podemos saber muito e saber pouco ao mesmo tempo? Isso é um
paradoxo! Contudo, nós entendemos o que é dito, e por isso não se pode dizer
que está errado. Se uma frase consegue comunicar o que ela tenta comunicar, ela
é uma frase correta e pode ser usada. Ao dizermos por exemplo: "estás
perto e meu silêncio te faz longe", estamos expressando duas ideias
contrárias: estar perto e estar longe. Que paradoxo, heim?
Nas dissertações e textos
mais exatos devemos sempre evitar fazer metáforas, pois eles são textos exatos.
Mas lembre-se de que estamos trabalhando com literatura, que não é um tipo de
texto exato: é o contrário, é um texto que te dá liberdade de escrever coisas
que são e que não são, coisas que podem ser e que também podem não ser. A
literatura é literatura justamente porque temos o que discutir sobre ela, e
isso é exatamente pelo fato de ela não precisar dizer tudo o que quer
significar. Às vezes, com poucas palavras um texto literário nos diz mais do
que muitos textos didáticos ou explicativos. Por causa disso você deve se
sentir livre para experimentar os paradoxos - e na verdade, você já faz isso
todos os dias, embora talvez não perceba!
Seu poema deve ter 4
paradoxos, um em cada estrofe, para que você aumenta mais 4 décimos em sua
pontuação. Se tiver apenas 3 estrofes com paradoxo, são 3 décimos, e assim em
diante. Se você optar por não usar paradoxos, poderá chegar a 3 pontos através
de outros parâmetros, pois você é livre para escolher quais parâmetros cumprir
e quais não cumprir! Literatura é liberdade, não é?
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19. PROGRESSÃO
Algumas vezes os fatos são
ordenados de forma que constroem uma escala - é o que chamamos de progressão.
Por exemplo: nascer, crescer, reproduzir-se, morrer. Outro exemplo de
progressão: chorar, adoecer, morrer. "O Brasil era lindo, depois era
bonito, um dia ficou normal e aos poucos está ficando feio - vamos cuidar para
que não se torna horrível porque isso seria péssimo e crítico". Progressão
é uma figura de linguagem complexa porque exige que o escritor (e o leitor
também) perceba muita coisa em poucas palavras, mas é uma figura de linguagem
que diferencia um texto dos textos escritos sem atenção. Por exemplo: se
estamos contando uma história, podemos começar do meio ou até de seu final, mas
se ela começa do começo, depois passa pelo meio e depois chega ao final, ela
será uma história mais fácil de ser entendida. Se queremos desafiar nosso
leitor a ler de forma diferente, podemos mexer com a ordem dos fatos, e isso
também é uma figura de linguagem, mas para esta atividade seria interessante
você exercitar o uso de progressões simples e lógicas - inclusive isso te
ajudará a ler textos mais complexos em seu futuro de leitor(a).
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20. SINESTESIA
Esta é uma figura de
linguagem que mistura percepções de sentidos físicos. O corpo humano possui 6:
visão (através da qual enxergamos); audição (através da qual ouvimos); tato
(que nos faz sentir as formas, texturas e temperaturas); olfato (para os
cheiros); paladar (para os gostos); e equilíbrio (que nos faz perceber se
estamos em cima, em baixo, tontos, tortos, retos, etc). Agora, depois de termos
relembrado o que são os sentidos físicos, vamos pensar em percepções que são
próprias deles: doce é sentido com o olfato, enquanto voz é percebida pela
audição. Assim sendo, como podemos dizer "uma voz doce"? Se é uma
voz, não sentimos o seu gosto, e não poderíamos dizer que é doce - contudo,
esta é uma figura de linguagem fácil de entendermos, apesar de lidar com a
sinestesia.
Na sinestesia fazemos
misturas dessas percepções. Por exemplo, podemos dizer que "seus olhos têm
um brilho quente e seu sorriso me gela a alma". Outros exemplos de
sinestesia podem ser encontrados através de pesquisas, mas seria mais
interessante você mesmo criar as seus próprias figuras de linguagem - afinal de
contas, capacidade pra isso você tem.
Mas lembre-se de que você
não é obrigado a fazer o que é mais complexo: sua poesia pode ser boa sendo
simples. E na verdade muitas das mais belas poesias são bem simples, mas não
estamos apenas produzindo poesia, estamos também exercitando recursos poéticos.
É por isso que chamamos a esta atividade de trabalho. Ela é cansativa, pois
precisaremos reescrever nossos textos várias vezes, mas também é
recompensadora, pois aprenderemos novas formas de expressarmos e de
impressionarmos. Lembre-se de que arte é justamente pra isso, e literatura é
arte!
Se você não estiver
confiante quanto ao texto que está produzindo, leia-o para outras pessoas e
avalie se elas estão fazendo elogios sinceros ou só estão sendo bondosas. Se
preferir, escreva o seu texto - do seu jeito, sem muita preocupação, e
apresente ao seu professor, que lhe dirá como você pode melhorar o seu texto (e
sua nota) E mais importante: não se magoe ao ouvir críticas! Ninguém nasceu
sabendo e você está num processo de aprendizagem (e sempre estamos), é natural
que cometa erros. O que você não pode se contentar é com fazer pouco, pois você
nasceu para o muito. Assim sendo, não sinta-se cansado na metade do caminho,
persevere e exija mais de si. Não deixe para a última hora e não espere a
inspiração - ponha a caneta sobre o papel e comece a escrever, sem medo e sem
cobranças, e vá alterando o texto aos poucos. Dificilmente você terá nota
máxima já na primeira versão, mas nada impede que você faça melhor na próxima
revisão. Se você disser que não é capaz, não será capaz, mas o mundo exige que
você seja capaz. E isso não se aplica apenas à poesia, mas à matemática, à
história, aos estudos em geral, nas interações sociais, no seu futuro emprego,
na família e na vida como um todo. Até porque você já teve uma longa caminhada
até chegar ao Ensino Médio e agora é hora de você mesmo se desafiar, mas também
de se divertir com os desafios e sentir que está crescendo.
Sabe porque os escritos
têm necessidade de escrever? Esperamos que quando você terminar a sua produção
textual, você possa compreender algumas das possibilidades de ser responder a
uma pergunta assim, pois mesmo que suas palavras ainda não possam dizer, você
sentirá.
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21. AVALIAÇÃO
PARÂMETROS NEGATIVOS (que retiram pontuação da nota final)
-0,5 se não tiver título
-0,5 se não tiver
estrutura de soneto (4,4,3,3)
-0,5 se possuir erros crassos
de escrita (ex.: voçee)
-0,5 se possuir trechos
ilegíveis (ex.: letra pequena demais)
-0,5 se possuir erros de
acentuação e pontuação (ex.: e bonito)
-0,5 se possuir erros de
coerência e coesão
PARÂMETROS POSITIVOS (que aumentam nota, pois você começa com zero)
+0,4 se possuir história
não-amorosa (ex.: se for sobre amizade ou morte)
+0,4 se possuir métrica
regular (i.e.: versos de mesmo tamanho)
+0,4 se possuir 4
advérbios (pesquise na internet alguns advérbios)
+0,4 se possuir 4 termos
rebuscados (pesquise algumas palavras difíceis)
+0,4 se possuir 4
inversões de ordem sintática (i.e.: mudar a ordem das palavras
(sem
tirar o sentido)
+0,4 se possuir rimas
finais ricas (rimas de classes gramaticais diferentes)
+0,4 se possuir rimas
internas (quando a palavra rima com outro do mesmo verso)
+0,4 se possuir rimas
cruzadas (ou seja: duas rimas finais por estrofe
(que não sejam
em linhas seguidas)
+0,4 se possuir 4
metáforas ou alegorias (estudamos isso na unidade I)
+0,4 se possuir 4
paradoxos (na apostila e no blog explicamos)
+0,4 se possuir 2 progressões
(na apostila e no blog explicamos)
+0,4 se possuir 2
sinestesias (na apostila e no blog explicamos)
+0,4 se possuir aliteração
(palavras que início igual, ex.: violeta e violão)
+0,4 se possuir
trocadilhos (brincadeiras com as palavras)
+0,4 se possuir acróstico
(as letras do início dos versos formando palavra/s)
+1,0 se for um SONETO
SÁFICO (na apostila e no blog explicamos)
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