segunda-feira, 23 de outubro de 2017

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APOSTILA DE REDAÇÃO – UNIDADE II - POESIA
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01. INTRODUÇÃO

Bem-vindo à unidade 2 de redação! Como você está no Primeiro Ano, é o momento em que temos chance de tratar diretamente da parte mais dinâmica da literatura - que é sua produção. No Segundo Ano do ensino médio você estudará os movimentos literários do passado e do presente, vai aprender sobre autores, ler obras e produzir redações, principalmente dissertações. Mas por agora, enquanto estamos lendo, não há motivos para não produzirmos nossa própria literatura. Estudar literatura pode ser suficiente para alguns, mas como alguém pode realmente conhecer algo que nunca viveu? Como podemos apreciar uma obra se não sentimos a obra? E existe forma melhor de viver uma obra do que quando a produzimos?

A literatura nos permite viajar e sonhar, viver coisas sem sair do lugar, e quando nós produzimos o texto, podemos criar mundos inteiros, que são nossos, e que permitem que descubramos mais sobre nós mesmos. Por isso é que na unidade I trabalhamos com a produção de texto de ficção em prosa. Nesta unidade, trabalharemos com poesia. Como você já deve saber, a literatura se divide em três estruturas básicas: prosa, poesia e teatro. Não trabalharemos com o texto teatral porque ele exige mais experiência com leitura e produção, mas já trabalhamos com prosa (na produção de contos) e agora vamos nos aventurar na poesia!

Observações: o material desta apostila também está disponível através do blog https://fabriciodesipoesia.blogspot.com.br
Este material foi elaborado para uso didático, tendo sua propriedade intelectual registrada. A extensão do material é de 21 tópicos para detalhar ao máximo possível os recurso, pois este destina-se a auxiliar a alunos de primeira a terceira sério do Ensino Médio na produção de poesias para avaliação escolar.


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02. O QUE É POESIA MESMO?

Poesia é o nome que se dá ao tipo de texto literário que se divide em versos. Mas o que é o verso? Sabe quando uma linha sempre acaba numa palavra? É o que chamamos de verso. Por exemplo, vamos ver um trecho de um poeminha curto, que possui 4 versos:

       Jovem princesa dos olhos pequenos,
       Dos lábios rosados, tão terno riso,
       Não digo o que sinto (e sinto há tempos!);
       Me levas a audácia - calado fico!

Para que um texto seja poesia, é obrigatória a presença de versos, de preferência que ocupem mais ou menos o mesmo tamanho e que não atinjam a margem da folha (ou seja: não é para ir até o fim da linha). O tamanho de um verso pode variar, mas ele é sempre o mesmo para um poema. O poeminha acima, por exemplo, não seria poema se fosse escrito assim:

       Jovem princesa dos olhos pequenos, dos lábios rosados, tão terno riso, não digo o que sinto (e sinto há tempos!); me levas a audácia - calado fico!

       No caso acima, o texto continua a ser literatura, continua a ser bonito, mas não possui versos, e por isso não é poesia. E aquilo que não é poesia chamamos de prosa. Assim sendo, todo texto que tem linhas que ocupam todo o espaço do papel é chamado prosa e todo texto que possui linhas divididas em versos é poesia.


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03. NÃO SEI FAZER POESIA!

Produzir poesia pode parecer fácil, mas é um trabalho árduo de escolha de palavras e de sentidos. Normalmente uma poesia não é produzida de improviso - e se for, não será uma poesia muito detalhada. Quando lemos uma poesia e vemos "talento" nela, na verdade estamos vendo o resultado do esforço do poeta em produzir um material de qualidade, que impressione e que consiga ser interessante e diferente. Você também produzirá uma poesia, que será uma de suas atividades avaliativas, e que deverá exigir de você diversas reescritas. Ninguém nasce poeta! Por isso, não espere que na primeira versão o seu poema seja lindo, perfeito e receba nota máxima! Ao invés disso, escreva, de seu jeito e sem medo, e apresente ao seu professor, que irá lhe orientar sobre o que pode ser mudado em seu texto. Você fará várias versões até atingir a forma final de seu texto, mas isso não deve lhe assustar! O texto final certamente receberá uma nota máxima, mas para isso é preciso que você esteja aberto a ouvir sugestões e que tenha a calma necessária para entender e fazer o que é pedido. Além disso, de nada adiantará você demorar muito tempo entre uma versão e outra. Apresente seu poema como ele estiver, e modifique conforme as orientações, mas sem nervosismo. O seu professor estará presente durante todo o seu percurso, porém, temos um prazo a ser cumprido, e se você demorar demais, não receberá mais do que décimos na nota!


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04. QUAL É O TEMA?

A sua poesia será um texto seu, escrito com suas palavras, e de preferência sem interferência alheia (até porque quem está aprendendo é VOCÊ, e só fazendo nós realmente aprendemos). Se você não fizer o seu texto, como terá o conhecimento, no final da unidade, para realizar a prova? Por isso, escolha um tema e escreva sobre ele. Não precisa estar bem escrito ou ser sobre amor. Iremos corrigi-lo com calma até que ele se torne surpreendente. O seu texto pode falar sobre o que você quiser: sobre amor, sobre guerra, sobre política, sobre racismo, sobre negritude, sobre o sertão, sobre Deus, sobre religião, sobre paz, sobre medo, sobre morte, sobre pessoas, sobre família, sobre amizade, sobre estudos, sobre sua rotina, sobre seus desejos, sobre seu futuro, sobre histórias que você cria, sobre histórias que você ouve, sobre as raivas que você sente, sobre as coisas de gosta ou que acha bonitas, sobre tudo! A literatura dá uma grande liberdade de temas que muitas vezes podem não ser permitidos noutros textos: aproveite!

Um dos temas mais recorrentes na poesia sempre foi o amor. É fácil falar de amor, não é? Rimamos amor com dor, calor, cor, e rimamos paixão com ilusão, coração e emoção. Depois rimas amar com olhar, esperar, gostar, estará e rimamos você com esquecer, perder, prazer, viver, morrer e  cadê. Fazer poesia assim parece fácil, não é? Basta escrever algumas palavras e colocar a rima no final, assim:
             O meu coração
             Vive cheio de paixão
             Não posso te esquecer
             Pois eu amo você.

Contudo, produzir este tipo de texto é tão fácil que esquecer. Quantos textos você já viu, desses, que não marcaram sua vida? Não dão trabalho para serem escritos, e por isso quem lê não se impressiona tanto. O poema que você produzirá apresentará alguma dificuldade, embora não seja impossível - a dificuldade é só o bastante para desafiá-lo a escrever melhor enquanto aprende sobre poesia na prática. Por isso, já adiantamos que uma produção sobre amor é fácil. É um caminho fácil demais para quem quer realmente aprender. Você é livre para escrever sobre amor, mas isso não seria comum demais? Você pode fazer mais, pode lidar com temas mais complexos, não pode? Se possível, evite falar de amor. Aliás, se o seu texto NÃO falar de amor (amor romântico), você já terá 0,4 décimos. Caso decida falar de amor, você poderá ganhar esses 4 décimos através de outros requisitos - são vários, uns mais fáceis e outros mais difíceis - o mais fácil é este: não falar de amor. Se você não tiver certeza de que conseguirá cumprir os outros requisitos, então garanta desde já os seus 4 décimos escolhendo um outro tema DIFERENTE de amor.


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05. É QUANTAS LINHAS?

Existem poesias curtas, com duas linhas, e existem poesias longas, com centenas ou milhares. Como estamos produzindo para uma avaliação, seu texto deverá ter um formato específico. Não é apenas um poema qualquer, mas um soneto clássico! E o soneto (clássico) possui exatamente 14 linhas, divididas em 4 blocos. Cada um desses blocos é chamado de estrofe. Entre uma estrofe e outra há sempre um espaço de uma linha. Nas duas primeiras estrofes, um soneto tem 4 linhas, e nas duas últimas estrofes tem 3 linhas. Por isso, a fórmula famosa: 4-4-3-3. Veja abaixo um exemplo de soneto:

                 Jovem princesa

       Jovem princesa dos olhos pequenos,
       Dos lábios rosados, tão terno riso,
       Não digo o que sinto (e sinto há tempos!);
       Me levas a audácia - calado fico!
      
       Nos breves momentos 'que estou contigo
       Acalmo minh'alma em sincero enlevo e
       Me acho babando de tanto que fico
       Suspenso em encantos - cativo mesmo!
      
       Penso: eles notam no quanto aprecio
       Quando me notas?, pois sou como um rio
       Que ri quando sente o toque dos frios
      
       E finos dedos das mãos que desejo
       Beijar - e o fato é que faço isso mesmo
       Em minh'alma cheia de afeto e pejo!

Note que as primeiras estrofes têm 4 linhas (que chamamos de versos, porque é poesia). Se fizéssemos diferente, por exemplo - 4 versos, depois 3, depois 4 e depois 3, teríamos um outro tipo de poema que NÃO seria soneto. Se todas as estrofes tivessem 4 versos, também NÃO seria soneto. Se o seu texto não for soneto, você perderá 0,5 (meio) ponto, que será retirado de sua nota final. Falaremos detalhadamente de cada um dos parâmetros a serem analisados e você terá uma tabela para saber sua nota e assim avaliar a qualidade (relativa) de seu soneto. Por enquanto, se concentre no seguinte: são 14 linhas (versos), divididas em 4 blocos (estrofes), tendo 4-4-3-e-3 versos. Só como exercício, veremos outro soneto:

       O céu é azul
       E as rosas são vermelhas
       O abacaxi é azedo
       E minha casa tem telhas.

       O chão em que eu piso
       Foi plantado por meus pais
       E o dia corre lento
       Enquanto a chuva não caiu

       Sou sertanejo, trabalho
       Na roça, no sol e na chuva
       Enquanto Deus quiser

       Vou vivendo de meu suor
       E minha vida é muito boa vivendo nesta terra
       E assim eu sou feliz.

O texto acima é apenas um exercício. Note que em alguns trechos ele perde o sentido e em outros ele nem mesmo tem rimas. Contudo, ele está dividido em versos, não está? Isso já basta para ser poesia. Ele tem 14 linhas, divididas em 4-4-3-3, não tem? Isso basta para ser um soneto. Se tem rimas ou não, isso já outra história. Quem disse que uma poesia precisa ter rimas para ser poesia? Tanto não precisa que muitos poetas escreveram grandes poesias sem rimas. Então, o texto acima, por mais que não seja profissional, é um soneto com certeza, e não terá meio ponto descontado de seu nota. Porém, ele não tem título! Como a ausência de título faz seu poema perder meio ponto, daremos um título qualquer: "O meu sertão". Talvez este não seja um bom título, mas basta que o título EXISTA. Apenas evite títulos como: "poesia" ou "poema soneto" ou "trabalho de redação". O título é o nome de seu poema; assim como você tem nome, sua obra também deve ter.

 
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06. MÉTRICA

Leia o seguinte poema, escrito por um grande poeta de nossa língua (o Manuel Bandeira):

       João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num      
                                                                                                                   [ barraco sem número
       Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
       Bebeu
       Cantou
       Dançou
       Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Repare que alguns versos são muito longos em comparação com outros que são muito curtos. Uma poesia pode ser feito desta forma, mas para nossa avaliação, usaremos MÉTRICA REGULAR - isto é, todos os versos precisam ter o mesmo tamanho. Veja agora, abaixo, um exemplo de uma estrofe que possui versos de mesmo tamanho:

       Senhor, pequei! Mas por eu ter pecado
       Não me despeço da tua bondade;
       Porque quanto mais eu tenho errado
       Mais peço perdão; Senhor, tem piedade!

Essa contagem não se baseia no tamanho do verso no papel e sim no número de sílabas. Numa estrofe com versos 10 sílabas, por exemplo, um verso pode ter 9 ou 11 sílabas que não será uma diferença muito grande. Contudo, se o verso possui 8 ou 12 sílabas, aí já temos uma diferença significativa. Veja como fica uma estrofe de versos irregulares:

       Vou vivendo de meu suor
       E minha vida é muito boa vivendo nesta terra
       E assim eu sou feliz.

A cada estrofe que seu texto possuir com versos todos de mesma quantidade de sílabas, você terá um décimo a mais, podendo chegar a até 4 décimos com este parâmetro. Idealmente, a contagem deve ser feita pela seu professor, pois algumas sílabas não são contadas, já que se trata de poesia. Neste caso, estamos contando apenas as sílabas poéticas, e mesmo que seu poema não seja sáfico, as sílabas serão contadas como se ele fosse. Seu poema NÃO precisa ser sáfico e você não precisa entender tudo sobre isso, mas seria bom você ler e saber que isso existe.


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07. VERSO SÁFICO

Se o seu poema for sáfico, você não receberá 1 décimo por cada estrofe; ao invés disso, você terá um ponto automático.
Se o seu poema apenas tiver versos de tamanho regular (dizemos métrica regular), você tem 1 décimo por cada estrofe com versos de mesmo tamanho.

Um poema sáfico é aquele que possui exatas 10 sílabas poéticas em cada verso. Ele recebe esse nome porque a poetisa Safos de Lesbos, a grega, escrevia lindos poemas de amor usando essa métrica e foi a principal responsável pela popularização desse tipo de verso. Para essa contagem, três regras são seguidas:
1ª regra sáfica: só contamos até a última sílaba forte. Numa palavra, sempre há sílabas fortes e sílabas fracas. Na palavra "piedade", por exemplo, a última sílaba forte é "DA", e por isso, se um verso é encerrado com a palavra "piedade", não contamos a sílaba "de". Da mesma forma acontece com a palavra "errado". Como a sílaba forte é "RA", não contamos o "do", e portanto, se essa palavra aparece no final de um verso, não dizemos que a palavra "errado" tem 3 sílabas poéticas, e sim DUAS sílabas poéticas.
2ª regra sáfica: consideramos elisões. Elisão é o nome que se dá a quando duas sílabas ficam com seus sons unidos, e fazemos isso o tempo todo na fala. Por exemplo: "me dá um copo de água" normalmente é pronunciado "me dáum copo dágua". A elisão ocorre quando a última letra de uma palavra é uma vogal e a primeira letra da outra palavra também é uma vogal. Neste caso, juntamos os sons e elas saem como uma sílaba só. No caso de "dá um copo", normalmente pronunciamos "dáum", como uma única sílaba, e na poesia o correto é FAZER elisões.
3ª regra sáfica: consideramos elisões forçadas; quando uma palavra não tem elisões, nós podemos forçá-la. Por exemplo, ao dizer "copo de água" normalmente dizemos apenas "copo dágua"; mas se queremos deixar clara essa forma de leitura, podemos escrever "copo d'água". Esse sinal, que parece uma vírgula voadora, se chama apóstrofo e sinaliza que uma letra foi retirada. Veja um exemplo de elisões forçadas: "Minh'alma 'inda espera". Contudo, a exclusão de uma letra é uma elisão, mas não é sempre forçada. Dizemos que é forçada quando ela engole letras do nada e só colocamos o apóstrofo. Se, por exemplo, precisamos de 10 sílabas poéticas e nosso verso tem 11 e nele tem escrito "palavra", podemos escrever "p'lavra", e teremos só DUAS sílabas (p'la - vra), e se estiver no final do verso, só contamos uma (p'la, porque vra é fraco).

Compare as diferenças de quando uma estrofe tem versos de tamanho diferente com uma estrofe de versos sáficos. Abaixo há uma estrofe de versos irregulares (de tamanhos diferentes):

       O céu é azul
       E as rosas são vermelhas
       O abacaxi é azedo
       E minha casa tem telhas.

E agora, uma estrofe de versos sáficos. (Dica: se você recitar em voz alta, vai perceber melhor essas divisões)

       Senhor, pequei! Mas por eu ter pecado
       Não me despeço da tua bondade;
       Porque quanto mais eu tenho errado
       Mais peço perdão; Senhor, tem piedade!

Embora a poesia possa ser escrita de diversas formas, o verso sáfico é um dos mais respeitados, justamente pela habilidade e exatidão que ele exige - mas não é nada que você não possa alcançar. Depois de produzir uns 5 sonetos sáficos (ou até menos), você poderá falar de poesia sabendo do que está falando e nunca será menosprezado por quem se diz um grande poeta - porque você TAMBÉM um grande poeta. Pense nisso!

REPETINDO: se o seu poema for sáfico, você não receberá 1 décimo por cada estrofe; ao invés disso, você terá um ponto automático.
Se o seu poema apenas tiver versos de tamanho regular (dizemos métrica regular), você tem 1 décimo por cada estrofe com versos de mesmo tamanho.


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08. ADVÉRBIOS

Advérbios são palavras que modificam os verbos (ações) e os adjetivos (características). Existem muitos advérbios possíveis e não serão dados exemplos de advérbios aqui; ao invés disso, é possível procurar advérbios pelo dicionário e pela internet, e isso pode nos levar a conhecer advérbios muito mais curiosos do que se déssemos exemplos aqui.

Ao procurar no dicionário, abra em qualquer página e note que a palavra a ser explicada está em negrito (isto é, com a letra mais escura e com traços mais grossos). Um pouco à frente da palavra estará uma anotação em itálico (com a letra inclinada), geralmente escrito "subst" ou "adj" ou "adv". A sigla para advérbio é ADV, e se você encontrou isso após alguma palavra no dicionário, é um advérbio. Leia o significado dele e crie uma forma lógica de utilizá-lo numa frase e de colocar a frase no seu poema. Lembre-se de que se houverem erros de coesão (isto é, palavras que não fazem sentido) ou de coerência (isso é, trechos sem lógica), você perderá meio ponto de sua nota final. Portanto, antes de usar um advérbio, tenha certeza de que entendeu o que ele quer dizer. Se não tem certeza, escreva a frase e peça para alguém ler. Se a pessoa entender, está escrita de forma compreensível.

Cada estrofe de seu texto deve possuir ao menos 1 advérbio. Como são 4 estrofes, você precisa de 4 advérbios. Se uma estrofe possuir mais e 1 advérbio, apenas o primeiro advérbio daquela estrofe subirá sua nota. Em outras palavras, não adianta ter 4 advérbios apenas na primeira estrofe, pois isso lhe dará apenas 1 décimo; ao invés disso, tenha 1 advérbio em cada estrofe (ou mais, se quiser), e você terá 4 estrofes com advérbios, o que lhe dará 4 décimos.


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09. TERMOS REBUSCADOS

Muitas poesias são conhecidas por possuírem palavras complicadas, que poucos entendem. Poetas fazem isso para demonstrar que têm conhecimento real de nossa língua, que conseguem lidar com as palavras. Você estuda no ensino médio, então talvez seu vocabulário (a lista de palavras que usa) ainda não seja tão grande, mas se não for, já era de aumentarmos, não? Por causa disso, o seu poema deverá utilizar termos rebuscados (isto é, palavras pouco usadas e pouco conhecidas). Cada estrofe deverá possuir ao menos 1 termo rebuscado, o que poderá aumentar até 4 décimos de sua pontuação. Se você não conhece palavras rebuscadas (isto é, palavras difíceis), pegue um dicionário ou pesquise na internet. Antes de usar a palavra, tenha certeza de que entendeu o que ela quer dizer.

Outro detalhe importante é que algumas palavras podem ser estranhas para você e não serem estranhas para seus professores. A avaliação será feito pelo seu professor e é ele quem irá definir se o termo é rebuscado ou não e se vale algum décimo. Para ter certeza de que seu professor irá identificar o que você acredita ser um termo rebuscado, circule a palavra. Assim, seu texto deverá ter 4 palavras circuladas, uma em cada estrofe. Se os termos realmente forem rebuscados, você terá até 4 décimos (um por cada estrofe com termo rebuscado). Não é preciso fazer seu texto ficar cheio de palavras estranhas, basta colocar algumas. Isso dará qualidade ao seu texto e as pessoas verão que você se esforçou para escrevê-lo e que entende do que está fazendo.

Além disso, usar termos rebuscados é uma das formas mais fáceis de aumentar a qualidade de seu texto. Se você abusar dos termos rebuscados, tornando o seu texto difícil de entender, ele não irá ser melhor, irá ser pior por perder qualidade. Um texto só tem valor quando pode ser compreendido, e se apenas você entender o que está escrito, estará escrevendo para si mesmo. Portanto, use palavras mais requintadas, mas não abuse delas! É preciso ser agradável a quem está lendo!


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10. INVERSÕES DE ORDEM SINTÁTICA

Cada um dos parâmetros de avaliação pode lhe render de 1 décimo a 4 décimos. Por isso, não é preciso cumprir todos os parâmetros, mas apenas 8 deles, pois só isso será o bastante para que seu texto receba a nota máxima (3 pontos). E você pode escolher os parâmetros que irá cumprir, desde que cumpra ao menos 8 dos 15 existentes. Os parâmetros apresentados até agora são os mais simples de serem usados, mas garantem apenas 1,6 pontos, e você não deve se contentar com pouco. Por isso, leia os outros parâmetros e veja quais deles você conseguirá cumprir com mais facilidade. Não é preciso cumprir todos, mas o seu texto precisa realmente ter qualidade, e quanto mais desses parâmetros você cumprir, mais qualidade o seu texto terá.

Em nossa língua, muitas vezes dizemos a mesma coisa de formas diferentes. Às vezes são formas diferentes porque usamos outras palavras, mas às vezes apenas mudamos as palavras de ordem. Por exemplo, normalmente dizemos "Eu amo você". Contudo, se dissermos "você eu amo" também seremos compreendidos. Isso se chama inversão de ordem sintática; ao utilizarmos esse recurso nós pegamos as palavras de uma frase e mudamos a ordem delas, mas SEM alterar o sentido. Se o sentido for alterado, não estamos fazendo inversão de ordem sintática, estamos apenas bagunçando a frase, e poesia não é bagunça! Se dissermos, por exemplo "eu você amo", a frase já se torna estranha e difícil de ser entendida.

Quando falamos, normalmente há uma ordem comum de ser compreendida: sujeito e predicado. Dentro de um predicado, normalmente temos verbo e objeto do verbo (o objeto é aquilo sobre o que o verbo age). Por exemplo: "eu comi uma maça". Nesta frase, o sujeito é "eu", o verbo é "comi" e o objeto é "uma maçã". Se dissermos "uma maçã eu comi", ainda seremos compreendidos, mas se dissermos "como maçã uma eu", a frase deixa de fazer sentido. Uma forma bem simples de fazer inversão de ordem sintática é trocar a ordem do adjetivo e do substantivo. Por exemplo: ao invés de dizermos "tens um coração carinhoso", dizemos "tens um carinhoso coração"; ao invés de dizermos "és uma pessoa boa", dizemos "és uma boa pessoa". Agora ficou mais fácil, não é?

Lembre-se que este é um meio simples de aumentar a sua pontuação e a qualidade de seu texto. Se você não for capaz de fazer algo simples, como fará algo complicado? Faça ao menos uma inversão de ordem sintática em cada estrofe e você terá 1 décimo por estrofe. Mas atenção! Não deixe que sua frase fiquei sem sentido! E outra coisa: é para inverter as palavras de uma frase, e não para trocar as frases de ordem! Se você já fez as 4 inversões nas 4 estrofes e se fez todos os parâmetros anteriores, você tem 2,0 pontos. Isso pode ser melhorado, não?


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11. ALITERAÇÃO

Algumas palavras têm semelhanças em seu final, enquanto outras têm no seu começo. Quando a semelhança é no começo, chamamos de aliteração. O uso de aliterações torna o seu texto mais rico e agradável de ser ouvido, e sem mais detalhes vamos a alguns exemplo:

      Vá e volte voando, viu, Venâncio?
      O vento vem e tu vens, tu vens
       Teu violento violão viola minha canção
       As violetas são violentas e a rosas não são rosas
       Bati uma bola num bom babinha bem-bolado
       Cruz-credo! Como quero comer queijo cedo!
       Dai-me esses dados e te será dada uma dádiva doida de dança sem dengo com a dama
       Esforços esfaimados esfarelaram as estradas como espelhos, como escadas
       Facas foram feitas fixas como feixes e fechadas na caixa feia, na feira, pelas freiras
       Gato, gatuna, gago, grupo, grogue, Gregory, zeitgaist, poltergaist, girar, giraste, girafa, garrafa, grata, garra, galharda, galhofa...

Quer uma forma simples de fazer aliterações? Pegue um dicionário e abre em qualquer lugar. Repare que as palavras seguidas começam com as mesmas letras. Agora, imagina formas de usar essas palavras para formar frases LÓGICAS (porque elas precisam fazer sentido!) - e... tchan-ram! Você já tem uma aliteração. O importante aqui é que você se divirta! (e subo sua pontuação em mais 4 décimos, 1 por cada estrofe que tenha aliteração)


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12. RIMAS FINAIS RICAS

Chamamos de rima a semelhança entre o som final de uma palavra e o de outra. Por exemplo, são rimas as palavras "rimar" e "cantar", porque ambas terminam em "ar". Provavelmente você já sabia o que é uma rima, mas alguns detalhes novos serão aprendidos. O primeiro é que não falamos ainda de rimas. Isso porque poesia NÃO PRECISA DE RIMAS! O que faz um texto ser poesia não é a presença de rimas, e sim a divisão em versos, lembra? Se você quiser, seu texto pode ter rimas, e isso o tornará mais bonito. Contudo, não é preciso que existam rimas. Se você escolheu colocar rimas, vamos às regras para elas.

Nas estrofes 1 e 2, seu texto NÃO deve ter rimas que rimem uma linha ímpar com a linha par abaixo dela (isto é, não é pra rimar a linha 1 com a 2 nem pra rimar a linha 3 com a 4). Ao invés disso, experimente rimar a linha 2 com a 4, ou a 1 com a 3, ou até mesmo a 1 com a 4 ou 2 com 3. Vejamos um exemplo do que não serve para esta atividade:

       A pimenta quando arde
       É igual batatinha que nasce
       Tudo acontece de repente
       Igual ao amor da gente

No caso acima temos o verso 1 rimando com o verso 2 e o verso 3 está rimando com o 4 (e isto não serve). Agora, vamos tentar outro esquema:

       Batatinha quando nasce
       Acontece tão de repente!
       Igual a pimenta que arde
       Que queima como o amor da gente!

No exemplo acima, a linha 1 está rimando com a 3 e a 2 está rimando com a 4. Esse é um esquema popular e muito comum. Abaixo, veja um outro esquema de rimas que também é aceito:

       Batatinha quando nasce
       Acontece tão de repente!
       Nasce igual ao amor da gente
       Que é como pimenta que arde!

Como você viu, criar rimas não é tão difícil. Contudo, nem toda rima criada aumentará sua pontuação. Rimar "coração" com "emoção", por exemplo, é algo fácil, assim como rimar "amar" com "adorar". Essas rimas são fáceis porque são rimas ricas - isto é, rimas entre palavras de mesma classe gramatical. Por exemplo, no caso de "coração" e "emoção", as duas palavras são substantivos e uma rima entre substantivo e substantivo é uma rima pobre. Já uma rima entre "coração" (substantivo) e "grandão" (adjetivo) é uma rima rica. A rima rica não é uma rima melhor ou mais bonita; esse nome é apenas uma convenção usada na poesia. Muitos grandes poetas escreveram em rimas pobres e escreveram bem, mas você consegue fazer mais. No caso de "amar" (verbo) e "adorar" (verbo), a rima também é pobre; mas existem outras palavras que podem rimar com elas e que não são verbos! Por exemplo: lugar, jamais, demais, trás, faz, capataz, fugaz, gilvaz, Barrabás, mais, pais, mar, insular, etc. Para saber se uma rima é rica, consulte um dicionário (ou a internet) e veja o que a primeira palavra que vai rimar é (se é substantivo, verbo, etc); depois, veja o que a segunda palavra é. Se ambas as palavras forem da mesma classe gramatical (exemplo: verbo e verbo, ou adjetivo e adjetivo), você fez uma rima pobre. Você até pode fazer rimas pobres, mas isso não aumentará sua pontuação.

Para que sua pontuação seja alta, procure criar apenas rimas ricas. Um detalhe importante é que estamos falando das palavras que terminam os versos - essas são as chamadas rimas ricas, e o nome completo disso é rimas FINAIS ricas. Existem outros tipos de rimas. Vamos ver?


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13. RIMAS INTERNAS

Quando duas palavras rimam e estão no mesmo verso, chamamos a isso de rima interna. Por exemplo, sabemos que "de repente" e "mente" são palavras que rimam. Agora, observe o seguinte verso:

       De repente minha mente pensa em ti
       E vem a saudade - tarde ou nunca partir!

No exemplo acima, temos as palavras "ti" e "partir" formando uma rima final; isso é uma coisa. Já "de repente" e "mente" estão rimando, mas estão no mesmo verso, e não no final de versos. Isso é uma rima interna. Releia o trecho acima e procure ver se encontra uma rima interna no segundo verso.

Para as rimas internas, a orientação é semelhante às orientações anteriores: só é preciso ter 1 rima interna por estrofe, e só é possível chegar a 4 décimos com essas rimas internas. Se uma estrofe tiver várias rimas internas, isso não aumentará sua pontuação mais do que se tivesse apenas 1. Além disso, as rimas internas NÃO precisam ser ricas. Ou seja: você pode fazer rimas internas com palavras de mesma classe gramatical. Veja um exemplo de rimas internas pobres, mas que valem também:

       Meu coração: sem direção, voando só por voar
       Sem saber onde está você, sonhando com teu olhar


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14. RIMAS FINAIS CRUZADAS

Já falamos bastante sobre rimas, mas uma pergunta comum ainda não foi respondida. É preciso ter duas rimas numa mesma estrofe? Não. Você precisa de apenas UMA rima rica por estrofe. Contudo, um poema que use muitas rimas finais ricas, rimas cruzadas e rimas internas certeza é visto como um poema mais bem elaborado. Uma estrofe com rimas cruzadas apresenta um dos formatos a seguir:
       I. A linha 1 rimando com a linha 3; e a linha 2 rimando com a linha 4
       II. O verso 1 rimando com o verso 4 e o verso 2 rimando com o verso 3
       III. O verso 1 rimando com outros dois versos e um verso sem rima
       IV. Todos os versos rimando entre si

As rimas cruzadas também devem ser rimas ricas. Observe abaixo alguns exemplos de rimas cruzadas (obs.: nasce e arde não é uma rima rica!):

       Batatinha quando nasce
       Acontece tão de repente!
       Igual a pimenta que arde
       Que queima como o amor da gente!

       Batatinha quando nasce
       Acontece tão de repente!
       Nasce igual ao amor da gente
       Que é como pimenta que arde!

Mas um detalhe é importante de ser observado: como fazer rimas cruzadas nas estrofes 3 e 4, que não têm 4 versos? Há algumas possibilidades para isso. A primeira é colocar todos os versos rimando entre si (só rimas ricas!). Veja um exemplo abaixo:

       Meu amor deixará saudades,
       Ardendo (porque o amor arde),
       Nascido num adeus - tão tarde!

No exemplo acima, a palavra "saudades" é substantivo, "arde" é adjetivo e "tarde" é um advérbio, e portanto todas as rimas são ricas, além de serem cruzadas. Uma forma mais simples de fazer rimas cruzadas nas estrofes 3 e 4 é cruzá-las entre si. Podemos, por exemplo, rimar o verso 3 da estrofe 3 com o verso 3 da estrofe quatro. Por exemplo:

       ................repente
       ................gente
       ................tarde

       ................lugar
       ................esperar
       ................saudade

Outras possibilidades podem ser feitas com essas duas últimas estrofes cruzando-se. Tente algumas e se divirta! Você ficará muito contente em perceber que é capaz de coisas incríveis na poesia e se surpreenderá consigo mesmo!


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15. TROCADILHOS

A poesia é uma arte que lida com as palavras, e por isso o poeta tem mais liberdade de mexer com ela do que um escritor comum. Essa liberdade é tão grande que nos permite, por exemplo, fazer trocadilhos. Não sabe o que é um trocadilho? É um jogo de palavras. Na prática, nós fazemos trocadilhos o tempo todo, sem perceber, e isso nos diverte e encantada, então que tal colocar isso no papel? Quer um exemplo de trocadilho famoso? Divertida mente! Algumas gírias que usamos também são trocadilhos. Quando dizemos, por exemplo, "eu havia calçado um calçado", isso é um trocadilho. Quando dizemos que "a calça a gente bota e a bota a gente calça", é um trocadilho. "O arroz-doce salgado" é outro trocadilho. "Uma grande pequena mulher" ou "uma pequeninininina estrela brilhava". "Rosa petulante", por exemplo, não tem a ver com pétalas, e sim com petulância (ou seja: arrogância). "Te quero de volta no meu pescoço" é um trocadilho com o adereço que chamamos de volta e que usamos em torno do pescoço (em volta do pescoço), mas também tem a ver com a palavra volta (de voltar, retornar). A mesma coisa ocorre em "mulher melhor" e "diferente deles você é igual a mim". Quer ver outro? "O rapaz era um gato, mas era um cachorro porque era galinha". Trocadilhos, trocadilhos, trocadilhos...

Repare que alguns trocadilhos brincam com os sons das palavras, enquanto outros lidam com os significados delas; alguns permitem a liberdade de criar palavras ou mudar um pedaço dela. Alguns lidam com o fato de palavras estranhas parecerem o que elas não são. Um trocadilho permite que usemos os sons que coisas fazem (ex.: eu disse miau, e ela disse miau-au-au); permite usarmos palavras parecidas (ex.: mas me faz mais paz pois faz tanto mais se faz tais coisas loucas demais); permite usarmos palavras de outras línguas (ex.: eu cho-kay quando chegai, okay?)(ex.: quero uma vida mais diet e você não é light)(ex.: quero ficar relax ao max e nada max); permite, enfim, muitos recursos.

O que será avaliado é a sua criatividade em utilizar os recursos de que a língua dispõe. Seu texto não precisa ser uma chuva de trocadilhos- basta um por estrofe e você já garante sua pontuação. Apenas evite utilizar palavras que possam trazer sentidos indecentes, imorais, ilegais ou inadequados ao seu contexto escolar de estudante.

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16. ACRÓSTICO

Aposto que você já viu algum acróstico por aí! Sabe quando as letras inicias dos versos, quando lidas, foram palavras? Não sabe? Olha só um exemplo:

       Gato pula nas telhas que são velhas
       Atos malucos e pulos duplos ele faz
       Toda noite atrapalha meu sonho, das telhas
       Ora, ora! Gato danado, cheio de gás!

No caso acima, uma quadra foi escrita falando sobre um gato, e as letras dos inícios dos versos são, respectivamente G, A, T e O. Muitas mensagens podem ser escondidas através de acrósticos. Inclusive, eles podem ser feitos com as letras finais dos versos, ou sempre com a segunda letra de cada verso, ou terceira, ou quarta, etc; Abaixo há um acróstico com a frase "Te amo", constituindo uma forma muito bela de declaração. Veja:

       Teu puro coração
       Eu quero em minhas mãos
       Amo ouvir o som
       Mais do amo, adoro ouvir o som da tua voz
       - Ouvir o som!

O seu poema não precisa ter um acróstico, mas se tiver, você terá uma pontuação maior, afinal isso demonstra que você realmente teve o trabalho de lapidar as palavras (olha a metáfora!) e utilizá-las de forma a produzir novos sentidos. Que tal brincarmos com as palavras?


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17. METÁFORAS

Abordamos muitos detalhes referentes às rimas, e agora está na hora de falar das figuras de linguagem. Quando falamos algo e queremos dar um sentido diferente do que realmente falamos, estamos usando uma figura de linguagem. Esse tipo de recurso é muito próprio da literatura, e como poesia é uma das formas de literatura, as figuras de linguagem estão presentes o tempo todo na poesia. Antes de começarmos, é preciso compreender como funciona uma figura de linguagem. Numa situação imaginária, um jogador chuta a bola em direção ao gol e erra de forma grotesca, e então alguém diz: "é o maior artilheiro do mundo, menino!". Obviamente, entendemos que não é realmente um elogio, mas uma ironia, pois quem falou quis significar o contrário do que falou; numa outra situação, um rapaz está elogiando os pequenos brincos de uma moça e lhe diz: "você fica muito gata com esses brincos, sabia?". Ora, um gato é um animal quadrúpede com bigodes e rabo e que anda em telhados, e a moça da situação claramente não é uma gata. Por isso, o significado do que foi dito (você está gata) vai muito além do que foi dito.

Existem diversas figuras de linguagem: algumas são mais fáceis de compreender e outras menos. Nesta unidade trabalharemos com algumas que são as mais básicas e comuns na poesia clássica, que são: a metáfora,o paradoxo, a progressão e a sinestesia. Começaremos falando da metáfora, que é quando afirmamos que uma coisa é outra coisa simplesmente porque têm alguma coisa em comum. Se dissermos, por exemplo "estar com você é poesia", estamos fazendo uma metáfora. Se dissermos "teu nome tem gosto de saudade", isso é uma metáfora. Por outro lado, se dissermos "meu coração bate como uma bateria", isso não é uma metáfora, pois estamos usando a palavra "como", e a figura usada é COMPARAÇÃO. É muito importante diferenciarmos o que é metáfora de comparação. Na metáfora, afirmamos que uma coisa É outra coisa; na comparação, afirmamos que uma coisa é COMO outra coisa, ou parecida. Veja abaixo:

       Gostar e odiar SÃO uma sanfona que estica e volta --> metáfora
       Gostar e odiar são COMO uma sanfona que estica e volta --> comparação
       A política é como um ninho de cobras que se mordem --> comparação
       A política É um ninho de cobras que se mordem --> metáfora
       Teus olhos brilham mais do que a lua --> metáfora
       Teus olhos brilham COMO a luz da lua --> comparação
       O desejo é um carro desgovernado --> metáfora
       Estou cego COMO um morcego, atraído IGUAL mariposa --> ___________ (preencha com a resposta correta)
       A saudade me invade --> _____________
       É COMO SE a saudade me trouxesse você --> ____________
       Não me esquecerei do brilho de tua voz doce, moça --> ____________
       Escrevi isso para você, mas recitarei para a lua --> _____________
       Preciso calar o que sinto --> ___________
       Eu sei do que você sente, ASSIM COMO a noite sabe do sol: em silêncio e refletindo --> ________________

Seu texto é uma poesia, e por isso deveria usar e abusar das metáforas. A comparação também é uma figura de linguagem importante para a literatura, mas não renderá nenhuma pontuação. Caso queira pontuação, crie metáforas em seu texto e alegorias.

Enquanto a comparação diz que duas coisas são parecidas, a metáfora diz que duas coisas são a mesma coisa. Já a alegoria não fala de duas coisas, fala apenas de uma, e precisaremos entender a outra coisa que não foi dita com base em nosso conhecimento de mundo. Por exemplo: muitas das histórias que Cristo contava eram alegorias, pois ele não explicava; quando ele explicava, aí já eram comparações. Já usamos o exemplo da palavra "gata" para tratar de metáfora; agora, usaremos para construir alegorias. Temos um exemplo de alegoria em: "uma gata vive em meu muro, e não pula pra cá nem pula pra lá porque não pode pular". O que isso significa? O que é a gata? Uma alegoria (algo que não está explicado e que significa outra coisa). Outro exemplo de alegoria: "durmo em silêncio e meu peito se acalma; quando te vejo, não durmo". Abaixo há algumas figuras; identifique se são metáforas ou alegorias ou comparações.

       O Congresso e o Senado estão cheios de ratos --> ____________
       Os ratos estão por todos os lados --> _________________
       A vida é um ritual, parto, no meio do mundo a sós à ______________________
       Tem tanta laranja madura por aí! --> __________________
       Sou um pedestal e tua presença me adorna --> __________
       Sou como um pedestal e tua presença me adorna --> ___________
       Teu nome é uma metáfora e renasço em te chamar --> ___________
       Tens as metáforas e renasço ao descobri-las --> __________
       contigo aprendo o que achei que esqueci, minha professora --> ____________


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18. PARADOXOS

As metáforas são figuras fáceis de compreender (ou nem sempre); já as alegorias são mais complicadas, assim como os paradoxos. Quando algo que é contrário de si mesmo, estamos fazendo um paradoxo; quando dizemos uma coisa e logo depois o seu contrário, é um paradoxo. Por exemplo: "esta cidade grande é pequena pro meu coração". Como uma cidade é grande se é pequena? Em nossa fala cotidiana também usamos um paradoxo muito comum: "eu sei muito pouco sobre você". Como podemos saber muito e saber pouco ao mesmo tempo? Isso é um paradoxo! Contudo, nós entendemos o que é dito, e por isso não se pode dizer que está errado. Se uma frase consegue comunicar o que ela tenta comunicar, ela é uma frase correta e pode ser usada. Ao dizermos por exemplo: "estás perto e meu silêncio te faz longe", estamos expressando duas ideias contrárias: estar perto e estar longe. Que paradoxo, heim?

Nas dissertações e textos mais exatos devemos sempre evitar fazer metáforas, pois eles são textos exatos. Mas lembre-se de que estamos trabalhando com literatura, que não é um tipo de texto exato: é o contrário, é um texto que te dá liberdade de escrever coisas que são e que não são, coisas que podem ser e que também podem não ser. A literatura é literatura justamente porque temos o que discutir sobre ela, e isso é exatamente pelo fato de ela não precisar dizer tudo o que quer significar. Às vezes, com poucas palavras um texto literário nos diz mais do que muitos textos didáticos ou explicativos. Por causa disso você deve se sentir livre para experimentar os paradoxos - e na verdade, você já faz isso todos os dias, embora talvez não perceba!

Seu poema deve ter 4 paradoxos, um em cada estrofe, para que você aumenta mais 4 décimos em sua pontuação. Se tiver apenas 3 estrofes com paradoxo, são 3 décimos, e assim em diante. Se você optar por não usar paradoxos, poderá chegar a 3 pontos através de outros parâmetros, pois você é livre para escolher quais parâmetros cumprir e quais não cumprir! Literatura é liberdade, não é?

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19. PROGRESSÃO

Algumas vezes os fatos são ordenados de forma que constroem uma escala - é o que chamamos de progressão. Por exemplo: nascer, crescer, reproduzir-se, morrer. Outro exemplo de progressão: chorar, adoecer, morrer. "O Brasil era lindo, depois era bonito, um dia ficou normal e aos poucos está ficando feio - vamos cuidar para que não se torna horrível porque isso seria péssimo e crítico". Progressão é uma figura de linguagem complexa porque exige que o escritor (e o leitor também) perceba muita coisa em poucas palavras, mas é uma figura de linguagem que diferencia um texto dos textos escritos sem atenção. Por exemplo: se estamos contando uma história, podemos começar do meio ou até de seu final, mas se ela começa do começo, depois passa pelo meio e depois chega ao final, ela será uma história mais fácil de ser entendida. Se queremos desafiar nosso leitor a ler de forma diferente, podemos mexer com a ordem dos fatos, e isso também é uma figura de linguagem, mas para esta atividade seria interessante você exercitar o uso de progressões simples e lógicas - inclusive isso te ajudará a ler textos mais complexos em seu futuro de leitor(a).

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20. SINESTESIA

Esta é uma figura de linguagem que mistura percepções de sentidos físicos. O corpo humano possui 6: visão (através da qual enxergamos); audição (através da qual ouvimos); tato (que nos faz sentir as formas, texturas e temperaturas); olfato (para os cheiros); paladar (para os gostos); e equilíbrio (que nos faz perceber se estamos em cima, em baixo, tontos, tortos, retos, etc). Agora, depois de termos relembrado o que são os sentidos físicos, vamos pensar em percepções que são próprias deles: doce é sentido com o olfato, enquanto voz é percebida pela audição. Assim sendo, como podemos dizer "uma voz doce"? Se é uma voz, não sentimos o seu gosto, e não poderíamos dizer que é doce - contudo, esta é uma figura de linguagem fácil de entendermos, apesar de lidar com a sinestesia.

Na sinestesia fazemos misturas dessas percepções. Por exemplo, podemos dizer que "seus olhos têm um brilho quente e seu sorriso me gela a alma". Outros exemplos de sinestesia podem ser encontrados através de pesquisas, mas seria mais interessante você mesmo criar as seus próprias figuras de linguagem - afinal de contas, capacidade pra isso você tem.

Mas lembre-se de que você não é obrigado a fazer o que é mais complexo: sua poesia pode ser boa sendo simples. E na verdade muitas das mais belas poesias são bem simples, mas não estamos apenas produzindo poesia, estamos também exercitando recursos poéticos. É por isso que chamamos a esta atividade de trabalho. Ela é cansativa, pois precisaremos reescrever nossos textos várias vezes, mas também é recompensadora, pois aprenderemos novas formas de expressarmos e de impressionarmos. Lembre-se de que arte é justamente pra isso, e literatura é arte!

Se você não estiver confiante quanto ao texto que está produzindo, leia-o para outras pessoas e avalie se elas estão fazendo elogios sinceros ou só estão sendo bondosas. Se preferir, escreva o seu texto - do seu jeito, sem muita preocupação, e apresente ao seu professor, que lhe dirá como você pode melhorar o seu texto (e sua nota) E mais importante: não se magoe ao ouvir críticas! Ninguém nasceu sabendo e você está num processo de aprendizagem (e sempre estamos), é natural que cometa erros. O que você não pode se contentar é com fazer pouco, pois você nasceu para o muito. Assim sendo, não sinta-se cansado na metade do caminho, persevere e exija mais de si. Não deixe para a última hora e não espere a inspiração - ponha a caneta sobre o papel e comece a escrever, sem medo e sem cobranças, e vá alterando o texto aos poucos. Dificilmente você terá nota máxima já na primeira versão, mas nada impede que você faça melhor na próxima revisão. Se você disser que não é capaz, não será capaz, mas o mundo exige que você seja capaz. E isso não se aplica apenas à poesia, mas à matemática, à história, aos estudos em geral, nas interações sociais, no seu futuro emprego, na família e na vida como um todo. Até porque você já teve uma longa caminhada até chegar ao Ensino Médio e agora é hora de você mesmo se desafiar, mas também de se divertir com os desafios e sentir que está crescendo.

Sabe porque os escritos têm necessidade de escrever? Esperamos que quando você terminar a sua produção textual, você possa compreender algumas das possibilidades de ser responder a uma pergunta assim, pois mesmo que suas palavras ainda não possam dizer, você sentirá.


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21. AVALIAÇÃO

PARÂMETROS NEGATIVOS (que retiram pontuação da nota final)
-0,5 se não tiver título
-0,5 se não tiver estrutura de soneto (4,4,3,3)
-0,5 se possuir erros crassos de escrita (ex.: voçee)
-0,5 se possuir trechos ilegíveis (ex.: letra pequena demais)
-0,5 se possuir erros de acentuação e pontuação (ex.: e bonito)
-0,5 se possuir erros de coerência e coesão

PARÂMETROS POSITIVOS (que aumentam nota, pois você começa com zero)
+0,4 se possuir história não-amorosa (ex.: se for sobre amizade ou morte)
+0,4 se possuir métrica regular (i.e.: versos de mesmo tamanho)

+0,4 se possuir 4 advérbios (pesquise na internet alguns advérbios)
+0,4 se possuir 4 termos rebuscados (pesquise algumas palavras difíceis)
+0,4 se possuir 4 inversões de ordem sintática (i.e.: mudar a ordem das palavras
                                               (sem tirar o sentido)

+0,4 se possuir rimas finais ricas (rimas de classes gramaticais diferentes)
+0,4 se possuir rimas internas (quando a palavra rima com outro do mesmo verso)
+0,4 se possuir rimas cruzadas (ou seja: duas rimas finais por estrofe
                               (que não sejam em linhas seguidas)

+0,4 se possuir 4 metáforas ou alegorias (estudamos isso na unidade I)
+0,4 se possuir 4 paradoxos (na apostila e no blog explicamos)
+0,4 se possuir 2 progressões (na apostila e no blog explicamos)
+0,4 se possuir 2 sinestesias (na apostila e no blog explicamos)
+0,4 se possuir aliteração (palavras que início igual, ex.: violeta e violão)
+0,4 se possuir trocadilhos (brincadeiras com as palavras)
+0,4 se possuir acróstico (as letras do início dos versos formando palavra/s)

+1,0 se for um SONETO SÁFICO (na apostila e no blog explicamos)
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